Quinta-Feira, 30 de Junho de 2022
Repilo (Venturia oleagineum)

Etiologia: o repilo, causado pelo fungo Venturia oleaginea  sinonímia - Fusicladium oleagineum Cycloconium oleaginum, Spilocaea oleaginea (Cast.) Hughes, caracteriza-se por formar um micélio subcuticular ou superficial após a infecção. Os conidióforos são solitários, atravessam a cutícula e dão origem aos conídios castanhos, retos ou levemente curvados, com um ou dois septos. São dispersos pelas gotas de água da chuva principalmente para as partes mais baixas das plantas.
A germinação dos conídios, a formação de apressórios e a infecção ocorrem na presença de água livre ou de elevada umidade do ar (≥ 80%), condições verificadas em períodos chuvosos, nublados ou com formação de orvalho, e temperaturas que variam de 8 a 22° C, sendo ótima de 15 a 20° C.
Após a infecção, a doença pode permanecer latente (incubação) por um período de 15 dias a dez meses sem sintomas aparentes. Durante períodos desfavoráveis, o fungo pode sobreviver e se reproduzir em folhas infectadas caídas no solo, embora não esteja ainda comprovado se tais folhas representariam uma fonte de inóculo importante.
Em nossas condições de cultivo a doença pode ser importante a partir do outono (abril) até o final da primavera (novembro).

Sintomas: inicialmente surgem na parte superior das folhas, lesões circulares, concêntricas, com coloração amarela, verde ou marrom, cujo diâmetro pode variar de 2 mm a 1 cm. Ao evoluírem essas se tornam escuras, com o centro claro e podem apresentar ou não um halo amarelo ao redor das mesmas. Em condições climáticas favoráveis, observa-se nos halos escuros a presença de corpos de frutificação do fungo.
Em geral, as lesões estão presentes somente na parte superior das folhas. No verão as lesões são atípicas irregulares e as lesões mais velhas podem se tornar esbranquiçadas, devido à separação entre a cutícula e a epiderme. Na face infeiror das folhas pode-se notar a presença de lesões escuras e alongadas localizadas na nervura central das folhas infectadas. As folhas jovens tendem a ser mais suscetíveis.
O fungo pode também causar lesões pardo escuras em pecíolos e pedúnculos acelerando a queda de folhas e frutos.
Nos frutos as lesões são levemente pardas, necróticas e deprimidas, causando deformações devido a atrofia dos tecidos infectados.

Importância: é considerada uma das mais importantes e destrutivas doenças da oliva em todo mundo. A doença pode causar intensa queda de folhas causando redução do vigor e a queda acentuada da produção e da qualidade dos frutos. A desfolha ocorre em toda a copa, sendo mais severa nos ramos mais baixos, podendo variar em função da idade da folha, da intensidade da infecção, da localização das lesões e das condições climáticas. Em epidemias severas, a queda de folhas pode afetar não apenas a colheita do ano, mas o futuro potencial produtivo da planta.

Ocorrência: ocorre em todas as regiões onde a oliveira é cultivada.

Manejo

  • Plantio de cultivares menos suscetíveis como: Leccino, Arbosana, Galega, Koroneiki e Frantoio.
  • Evitar o plantio de Picual, Arbequina, Verdial, que são consideradas mais suscetíveis;
  • Uso de mudas certificadas;
  • Plantio em terrenos arejados, drenados e ensolarados;
  • Podas seletivas visando favorecer a circulação de ar e a penetração de luz no interior da copa. Evitar plantios adensados;
  • Utilizar de preferência irrigação localizada. Irrigação por aspersão: reduzir a frequência em períodos favoráveis à doença;
  • Manejo correto das plantas daninhas e da cobertura verde, de forma a evitar o acúmulo de umidade entre as plantas;
  • Adubação equilibrada evitando excesso de nitrogênio e deficiência de potássio.
  • Utilização de fungicidas à base de cobre.

Referencia consultada

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MOHEDANO D.P.; BERROCAL F.O. Producción Integrada de Olivar. Sevilla: Consejería de Agricultura y Pesca, 2011.

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TÖFOLI, J.G. et al. Repilo na cultura da oliva requer atenção. Campo & Negócios, Uberlândia, 28 nov. 2015. Disponível em: http://www.revistacampoenegocios.com.br/repilo-na-cultura-da-oliva-requer-atencao/. Acesso em: 01 mar 2016.

TRAPERO, A.; BLANCO, M.A. Enfermedades. In: Barranco D., Fernandez-Escobar, R.; Rallo, L. El cultivo del olivo. 6. ed. Andalucía: Mundi-Prensa. 2008. p. 595-656.

Autores: Ricardo José Domingues; Jesus Guerino Töfoli, Instituto Biológico
E-mail
: ricardo.domingues@sp.gov.br

 
Publicado em: 01/06/2016
Atualizado em: 28/06/2017
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